Eleições EUA 2020: Como fica a Política Espacial em um novo cenário?

Em meio aos dias de disputa acirrada entre Donald Trump e Joe Biden pela presidencia dos EUA, um dos assuntos relacionados em plano de fundo foi a política espacial e seus possíveis caminhos sob uma nova administração governamental nos anos seguintes.

Ainda que o espaço definitivamente não seja o grande campo de batalha da eleição presidencial, um novo rumo para algo tão grandioso é a preocupação de muitos.

Diante disso, vale ressaltar o posicionamento dos candidatos sobre a questão.

Eleições 2020: A Política Espacial e seus possíveis caminhos sob uma nova administração governamental dos Estados Unidos.
Joe Biden e Donald Trump
Crédito: Jim Watson e Mandel Ngan / AFP

Donald Trump e a Política Espacial

Durante a gestão Trump, a questão da corrida espacial obteve grande relevância, contando com a restauração do Conselho Espacial Nacional, inativo desde o início dos anos 90. O até então presidente assinou cinco diretivas de política espacial diferentes. Dentre estes, emendou e atualizou uma diretriz emitida pelo presidente Barack Obama em 2010, colocando os EUA firmemente em um curso tripulado para a lua e além.

Atualmente, a NASA trabalha a fim de atingir seus objetivos por meio do programa Artemis de exploração lunar tripulada, que busca viabilizar a presença humana sustentável na Lua e em torno dela até 2028. O primeiro desembarque tripulado do Artemis está previsto para 2024.

Ainda sobre a política espacial da gestão Trump, há a busca em agilizar a regulamentação da indústria espacial comercial e os protocolos de controle de tráfego espacial. Além disso, visa fortalecer a segurança cibernética para sistemas espaciais, incluindo a criação da Força Espacial dos EUA.

Joe Biden e a Política Espacial

É evidente que diante de uma nova administração, abre-se espaço à especulações sobre o futuro da política espacial nos EUA. Entretanto alguns especialistas acreditam que esta não apresentará uma mudança drática com a vitória de Biden. A promessa do Partido Democrata é de apoio contínuo à NASA e à exploração espacial de maneira mais ampla.

Em contraste, a plataforma Democrata acrescenta que além disso, apoia o fortalecimento das missões da NASA de observação da Terra e da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, para maior compreensão de mudanças climáticas e seu impacto no planeta.

Biden prioriza o combate às mudanças climáticas, questão pela qual Trump expressa certo ceticismo quando questionado sobre os desastres catastróficos que podem ocorrer devido à ação humana.

Republicanos e Democratas diante da Corrida Espacial

É inegável que Donald Trump buscou consistentemente o aumento do orçamento da NASA durante seu mandato. Grande parte deste, destinado à missão lunar tripulada. Porém, os cortes às demais ciências tornarem-se motivo de preocupação.

Biden, serviu como vice-presidente durante a administração do presidente Barack Obama, cujos pedidos de orçamento federal direcionaram a NASA a entregar operações tripuladas em órbita baixa da Terra para astronautas privados como a cápsula Crew Dragon da SpaceX. O Programa de Tripulação Comercial da NASA começou a funcionar em 2010 e concedeu contratos de transporte de tripulação para a SpaceX e a Boeing em 2014.

Ainda que seja um tanto quanto cedo para tais especulações, a permanência do atual administrador da NASA, Jim Bridenstine, poderia garantir a continuação dos avanços da política espacial no governo Trump.

Jim Bridenstine e o futuro da administração da NASA

O que foi motivo de alvoroço quando anunciada em 2017, a nomeação do Chefe da NASA, Jim Bridenstine, até então aparentemente pouco qualificado para o cargo, causaram estranheza e controvérsias para a posição em uma agência focada na ciência.

Apesar do posicionamento questionável de Bridenstine a respeito de falsas consequências nocivas ao clima causados pela ação humana e tecnológica, o que de fato ocorreu, surpreendentemente, foi um período de grande sucesso como administrador da NASA. O Chefe da Agência Espacial dos Estados Unidos conquistou o apoio em todo o espectro político, tendo conduzido a NASA em um novo rumo.

Diante disso, a questão é: Bridenstine continuará como administrador da NASA com a vitória de Joe Biden?

Administrador da NASA, Jim Bridenstine
Crédito: NASA / AFP

Alguns fatores devem ser determinantes para responder esta pergunta. A começar pelo fato de que logo após se tornar administrador em janeiro de 2018, Bridenstine procurou acalmar algumas das preocupações sobre sua gestão. Inicialmente, mudou o curso sobre as mudanças climáticas, afirmando estar ciente das consequências. Além disso, demonstrou sua posição inclusiva com a decisão de levar um homem e uma mulher à Lua com o Artemis, até 2024.

Bridenstine começou a se voltar para o setor comercial como nenhum administrador da NASA antes e embora existam problemas de relacionamento com o CEO da SpaceX, Elon Musk, considera o papel vital da SpaceX no transporte de astronautas da NASA para a órbita. Em maio de 2020, eles fizeram história com o primeiro lançamento privado de astronautas em órbita, o início de uma estreita parceria comercial.

Além disso, Bridenstine distribuiu contratos de módulos lunares para empresas comerciais, desenvolveu um novo código de exploração e também solicitou a ajuda de startups para o programa Artemis da NASA, entre outras realizações.

CEO da SpaceX, Elon Musk e o administrador da NASA, Jim Bridenstine
Crédito: Lightrocket

Em resumo, transpondo todas as críticas ao governo Trump, Jim Bridenstine pode ser considerado pela maioria como uma rara história de sucesso. Sua popularidade e aprovação como administrador da NASA continua o conduzindo à crescentes pedidos por sua permanência no cargo.

  • Post last modified:06/11/2020
  • Reading time:5 min(s) read