O devastador incêndio no Pantanal

O incêndio que devasta o Pantanal desde julho é o maior da história, informa o Inpe. Este é o registro recorde, superando 15 mil focos de incêndio. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais afirma ser o maior número de queimadas desde 1998.

Segundo o Inpe, neste ano, foram identificados 15.756 focos de calor no Pantanal. Antes disso, o maior número tinha sido registrado em 2005, 12.536 focos.

O incêndio começou no dia 21 de julho e já são quase dois meses em chamas.

Brigadista em Porto Jofre, no Pantanal mato-grosssense,
Crédito: Mauro Pimental / AFP

Dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos incêndios florestais do Ibama, em 2020 mostram que a área queimada no Pantanal já passou de 2,3 milhões de hectares, isto é, 1,2 milhão em Mato Grosso e mais de 1 milhão em Mato Grosso do Sul. Essa área é equivalente a aproximadamente 10 vezes o tamanho das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro juntas.

Já foram destruidos cerca de 85% do Parque Estadual Encontro das Águas, o refúgio das onças pintas-pintadas. Há alta taxa de mortlidade de animais por conta dos incêndios. A última estimativa, contabilizada até 31 de agosto, apontava uma perda de 12% do bioma neste ano.

A ameaça à Fauna e a Flora no Pantanal

O Pantanal é a casa de 4.700 espécies diferentes, entre animais e plantas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, lá vivem pelo menos 582 aves, 132 mamíferos, 113 répteis e 41 anfíbios. Nessa, estão animais-símbolo da biodiversidade brasileira, como jaguatiricas, lobos-guará e onças-pintadas, sendo no total, 36 espécies ameaçadas de extinção.

Trata-se de uma das faunas nativas mais diversas do mundo, com 1.200 espécies. Onças, cobras, macacos, cobras e até jacarés povoam as imagens do desastre ambiental causado pelo fogo. Voluntários ajudam no resgate e tratamento de animais vítimas das queimadas.

Especialistas estimam que serão necessários até 30 anos para que a fauna da região volte à normalidade.

resgate
Biólogo resgata guaxinim no Pantanal. 
Crédito: João Paulo Gumarães / AFP

Incêndios no Pantanal obrigam remoção de populações indígenas

A área de 34 mil hectares tem 506 habitantes, dos quais mais de 100 já foram removidos às pressas. O ar ficou irrespirável por causa da fumaça das queimadas que cercaram a aldeia General Carneiro. Idosos e gestantes foram instalados na Casa de Saúde Indígena (CASAI) em Rondonópolis, a 220 quilômetros de Cuiabá.

Equipes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) conseguiram conter parte do incêndio com apoio de brigadistas indígenas dos Bororo e dos Bakairi.

Também houve pânico no Parque Indígena do Xingu, a 900 km de Cuiabá. No posto Diauarum, território indígena, cerca de 16 casas foram queimadas.

Segundo o Ministério da Defesa, a estrutura de combate aos incêndios em Mato Grosso é composta por 200 militares e 230 agentes de órgãos parceiros. Contam também com 40 viaturas, 2 embarcações e 14 aeronaves para apoiar o combate às chamas.

Influência na economia brasileira

O Brasil corre o risco de ser fortemente afetado economicamente devido aos incêndios. Há alertas emitidos por fundos de investimentos e bancos brasileiros e ameaça de que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul não se conclua.

Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Holanda, Noruega, Dinamarca e Bélgica, enviaram através de seus embaixadores um carta afirmando que enquanto a questão do desmatamento e da preservação são foco dos governo e das empresas do continente, o “Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança”.

A pressão internacional de mais de 200 organizações, entre ONGs, empresas de agronegócio e do setor financeiro, também se pronunciaram sobre o Governo Brasileiro para que medidas de redução do desmatamento na Amazônia sejam tomadas. Dentre estes, ONGs como a WWF, as indústrias JBS, Marfrig, Basf e Bayer. Propõe-se maior transparência nas ações e fiscalização nas florestas.

O que é o combate do fogo com o fogo, técnica usada no incêndio do Pantanal? A Polêmica do video vazado via Whatsapp

Brigadista no combate ao incêndio no Pantanal
Crédito: EPA

Apesar de trazer uma informação incorreta, causando polêmica, o vídeo é verdadeiro, confirmado em nota pelo ICMBio.

Entenda mais sobre o assunto aqui.

  • Post last modified:18/09/2020
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